Cortes na USAID Geram Pânico na África: Impactos na Saúde e Assistência Humanitária
- Márcia Oliveira
- 19 de mar.
- 2 min de leitura
A recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de suspender temporariamente o financiamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) gerou um cenário alarmante em diversos países africanos. A medida, que prevê um congelamento de 90 dias para revisão dos projetos financiados, está afetando diretamente programas essenciais de saúde pública, combate à fome e assistência a refugiados.
🚨 Impacto na Saúde: Tratamentos Interrompidos e Riscos de Contágio
Entre os projetos mais afetados está o Plano de Emergência do Presidente para o Alívio da Aids (PEPFAR), que atende mais de 20 milhões de pessoas com HIV e emprega cerca de 270.000 profissionais de saúde. O PEPFAR é responsável por fornecer tratamento antirretroviral a milhares de mulheres grávidas com HIV, evitando a transmissão do vírus para os bebês. Com a paralisação dos recursos, especialistas estimam que mais de 135.000 bebês poderão nascer infectados com o vírus devido à interrupção no tratamento.
A medida também impacta estudos clínicos e tratamentos experimentais voltados para doenças como HIV, tuberculose e cólera. O projeto MOSAIC, que testava novos medicamentos para a prevenção do HIV, foi suspenso abruptamente, colocando em risco a saúde dos pacientes que participavam das pesquisas.
🔴 Cortes Afetam Profissionais e Estruturas de Saúde
Além dos pacientes, milhares de profissionais de saúde estão sendo afetados. Clínicas e centros de atendimento que dependiam do financiamento da USAID começaram a fechar suas portas, deixando comunidades inteiras sem acesso a serviços médicos básicos.
Aghan Daniel, chefe de uma equipe de jornalistas científicos financiada pela USAID no Quênia, relatou que seis profissionais da equipe perderam seus empregos da noite para o dia. Segundo ele, a falta de planejamento para a suspensão do financiamento está causando danos irreversíveis a iniciativas de saúde pública.
🌍 Assistência Humanitária em Colapso
A USAID não atua apenas na área da saúde, mas também financia projetos de combate à fome, fornecimento de abrigo para refugiados e segurança alimentar em regiões vulneráveis. A suspensão desses programas coloca milhões de pessoas em risco, especialmente em países que enfrentam crises humanitárias severas.
Apesar das críticas internacionais, o governo dos EUA justifica os cortes como parte de uma revisão para garantir que os recursos estejam alinhados com a política externa americana sob a agenda "America First". O Secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou algumas isenções temporárias para a assistência humanitária essencial, incluindo o fornecimento de medicamentos, serviços médicos e alimentos, mas especialistas afirmam que isso não é suficiente para evitar um colapso nos programas já em andamento.
⏳ O Que Esperar Nos Próximos Meses?
Com a suspensão dos fundos, organizações humanitárias alertam para um aumento da mortalidade infantil, agravamento da crise alimentar e crescimento das infecções por HIV nos países mais afetados. A expectativa é que, ao final dos 90 dias de revisão, o governo americano reavalie sua posição e restabeleça parte do financiamento, antes que os danos sejam irreversíveis.
Enquanto isso, comunidades inteiras que dependem desses programas aguardam com incerteza, temendo que esse período de suspensão seja apenas o começo de cortes ainda mais profundos na assistência internacional.
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